Escritores de código

O contato entre dedos e teclas faz parte de um processo de transferência de conhecimento, entre homem e máquina. A relação simbiótica começa com um questionamento, dando início a formulações de algoritmos que são rascunhados em nossa mente e que, quando consideradas aceitáveis, são traduzidas em um dialeto que só a máquina entende. Para os leigos, o resultado desse processo é chamado de software. Nós chamamos de arte.

No mundo onde tantas línguas criam divisão, tentamos dominar as linguagens da computação. Sabemos que é em vão, pois a inovação sempre está um passo a frente da tradição.

Conhecemos as ciências exatas e esquecemos que somos humanos. Nos envolvemos com tanta lógica e matemática que, às vezes, esquecemos de quem amamos.

Em nosso dia-a-dia lidamos com tanta coisa de forma burocrática. Mas se nos dessem ouvidos, diríamos: preferimos a pragmática.

Estudar sem parar é nossa sina, tentamos explicar, mas ninguém entende. É preciso dedicação de quem ensina e muito mais de quem aprende.

Nosso cérebro é enxurrado de tanta terminologia. São padrões, especificações, tecnologias e metodologias. Pena esquecermos da sociologia e da filosofia.

Codificamos o conhecimento humano transformando-o em regras de negócio. E para nunca deixarmos de ser criativos devemos praticar o ócio.

Trafegamos entre virtual e real, transformando o abstrato em concreto. Nunca devemos esquecer da ética e da moral, discernindo o errado e o certo.

Em todas as profissões devemos tirar algumas lições. A seguir citamos duas razões e a partir de cada uma extraímos suas emoções. Para programar você tem que amar. Para desenvolver você deve se envolver.

Nos chamam de programador, desenvolvedor, engenheiro e até de arquiteto. São tantas definições para uma profissão mal compreendida. Queremos apenas o devido mérito.

Ainda convivemos com funções e procedimentos, intermináveis diagramas e longos planejamentos. Pelo menos já temos classes e objetos, realmente o que importa são os atributos e os métodos.

Nos dê dados e lhe damos informação, nos tragam problemas e lhe devolvemos solução. Só não devemos nos vangloriar, pois somos apenas mais um na multidão.

Não temos a ilusão de se comparar com o Pai da criação. Pois sabemos que somos um instrumento que trabalha com dedicação e paixão. Assim, como um simples artesão.

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10 comentários sobre “Escritores de código

  1. É isso aí garoto

    Concordo com seu texto.

    E deixe solta sua imaginação. Mesmo que escreva algo que um ou outro não concorde, escreva. Da prática sai a perfeição. Por favor diga isto para mim porque ando precisado de ouvir e escrever também.

    Abraços aí para a turma boa do Tá Safo!

    1. Grande Luca,

      Você não sabe o tamanho da alegria que tenho em ler um comentário seu em meu blog. Felicidade demais!

      Até um ano atrás eu só consumia literatura voltada a informática. Através de alguns amigos que começaram a me emprestar livros diversos, comecei a relembrar meus tempos de colegial, quando lia a série ‘Para gostar de Ler’ e viajava nos contos e biografias dos autores. Foi uma volta à infância.

      Agora tenho ao meu lado um fiél bloco de notas de papel, que ao surgir uma ideia, escrevo logo a versão 0.1 do texto :p, e assim vai saindo um post mensal, quinzenal 🙂

      Também comecei a observar as coisas com mais calma, daí tenho uma visão diferente daqueles que não atentam para o seu próprio cotidiano. E graças ao Vinícius Teles, desencanei de me planejar a longo prazo e deixo a vida me levar….

      Forte abraço e até a próxima, que sabe em alguma FLIP 🙂

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