Rio e Rua

Na quarta-feira, dia 29 de dezembro de 2010, resolvi dar uma volta pelo centro comercial de Belém, os mais antigos ainda falam: “Vou lá em baixo fazer umas compras”. Bem verdade que o comércio esta uma bagunça, como em qualquer capital brasileira. Os playboys e as patys preferem os shopping centers pela “segurança” oferecida por esses complexos. Mas se você for visitar uma cidade, não deixe de conhecer o seu centro comercial. É lá que está a verdadeira cultura de uma cidade.

Resolvi (re)visitar o Forte do Castelo, engraçado que já havia passado algumas vezes por lá, mas não conhecia o museu que o Forte guarda. Parte de nossa história está lá para quem quiser ver e compreender. Nossa mistura indígena, negra e européia reflete direto no povo que vai e vem pelas ruas e rios de Belém. Saindo do museu fui para o pátio do Forte, de onde se pode ver a Feira do Açaí, Baía do Guajará, Mercado de Ferro, Estação das Docas entre outros pontos.

Sentei exatamente de frente para o Mercado de Ferro e, entre o som dos “popopôs” indo e vindo, buzinas dos carros, vôos de urubus e garças, do céu azulzinho e do sol que raiava pra “dedéu”, comecei a observar o fluxo dos carros na Rua Castilho França e dos barcos na Baía do Guajará. Quando visitar o Forte do Castelo creio que também vai obter o mesmo pensamento que descrevo a seguir.

Ao trafegar por uma rua você segue um padrão com marcações em faixas, sinalizações e direções a seguir para organizar o trânsito. Essa ordem deve existir, senão vira bagunça mesmo, mas note que quando as coisas ficam muito bem definidas cria-se a rotina que vai matando as pessoas a cada dia com suas regras e crenças inquestionáveis. As coisas acontecem devagar quase parando.

Em contrapartida, a rota que cada barco pega para seu destino não segue uma linha reta, muito menos demasiadas sinalizações. O piloto sabe que tem que chegar a seu destino, mas nem sempre deve seguir o mesmo caminho. Com várias possibilidades a sua frente ele se dá o luxo de se sentir livre para ousar e conquistar mares nunca dantes navegados. Não foi assim que fomos e somos colonizados?

Desde criança que viajo de barco para o baixo Tocantins em férias e passeios com família e amigos e nunca vi um comandante estressado, ao contrário de muitos motoristas que enfrentam a rotina desgastante do trânsito das capitais brasileiras. É claro que em nossa correria cotidiana não dá para trocar o carro pelo barco, a rua pelo rio. Mas quando visitar qualquer cidade banhada por rios, não deixe de passear por suas ruas e também por seus rios.

Quando você tiver a sensação de liberdade, aproveite para explorar sua criatividade.

5 comentários sobre “Rio e Rua

  1. Wagner Farias

    Excelente reflexão meu caro Super Sanches!
    Parabéns meu amigo, falaste tão bem que “doidim” pra ir passear de barco😀 #fazerEm2011

  2. Rodrigo Santos

    Fale meu amigo Sanches, palavras muito bem colacadas !. Realmente nos dias de hoje andar de carro em nossa cidade (não somente em nossa) é muito complicado e estressante. A liberdade que os rios oferecem aos seus navegantes é realmente fenomenal ! Parabéns !

  3. Anderson Damasceno

    Já havia tido uma reflexão semelhante a essa. Realmente nunca ví um piloto de barco estressado :p

    Muito bom texto kra, continue compartilhando seus pensamentos ^^

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