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Devia ter
Peguei um trecho de Epitáfio, dos Titãs, como título do post para falar um pouco sobre o que converso com alguns amigos Não acredito que exista 100% de ganho, em uma escolha sempre há uma perda. Para viver sua “independência”, perde-se a presença de quem você mais gosta: família, amigos e amores. Na saída de um emprego você perde a “estabilidade” mas se aprender a conviver com a incerteza se ganha confiança.
Já me disseram que tenho um problema sério, o de não me planejar para o futuro. Tento explicar que não me planejo em longo prazo para não me frustrar depois. Assim como o Zeca deixo a vida me levar. Só nesse embalo, já fiz tantas coisas e conheci tanta gente bacana que nunca imaginei esbarrar na vida. Sabe a tal da empatia, que faz você gostar de graça da pessoa sem ao menos nunca ter visto. E que a admiração cresce a cada dia, ao acompanhar o trabalho dela e ver que o esforço dedicado por ela está valendo a pena.
Você já parou para pensar o quanto é breve nossa estadia por aqui. E que você deve viver a sua vida plenamente sem se bitolar por alguns conceitos já fadados como emprego perfeito, relacionamento estável ou um bom plano de aposentadoria.
Alguns amigos falam que gostariam de estar fazendo o mesmo que eu em deixar minha família, emprego e viver um pouco a incerteza, viajando pra lá e pra cá. Mas não percebem que basta rever algumas coisas como consumo desenfreado e a cultura do status social. Isso e tantas bobagens que só fazem nos afundar cada vez mais e nos distanciam das coisas simples da vida, como conhecer pessoas e ter relacionamentos verdadeiros com elas.
Costumo dizer que sou um acidente de percurso. Nasci em Camaragibe, região metropolitana de Recife – Pernambuco, cresci em Belém do Pará. Se não tivesse passado em frente a um curso de informática há uns 15 anos atrás, já deveria estar formado em Administração de Empresas, pois fiz Ciências Humanas no ensino fundamental e era esse o caminho que certamente escolheria. O acaso me protegeu, enquanto eu andava distraído. Por isso falo que entrei de gaiato na área de TI. Essa área que me envolvi por fascínio, já me deu tantas oportunidades que todo dia me sinto realizado. Só de pensar que você pode tomar conta do seu destino, dá uma sensação de liberdade duca!
Em Dezembro, fui passar fim de ano com a família. A felicidade não foi completa pois perdi um grande amigo de longa data. Em Janeiro conseguimos reunir alguns presentes lá no complexo Feliz Lusitânia, em Belém, para lembrar do saudoso Manoel Dória. Naquele dia não houve tristeza. Tinha tanta lembrança bacana do tempo que trabalhamos juntos que a tarde foi só de boas recordações. O pôr-do-sol foi especial. Dias atrás, quando visitamos a família dele, foi tão bacana o que nos falaram. Que sentiam o Manoel vivo com nossa presença. Pena não poder revelar da mente tantas fotos e vídeos de várias churrascadas e passeios de bike. Naquela hora muita tristeza, agora apenas boas recordações.
Só pra fechar. Não se mova por dinheiro, por status ou pelo que os outros ditam. Faça valer a chance que foi dada a você. Substitua o “devia ter” por planejamento e execução. Tenha uma visão ampla das coisas, mas viva a vida em iterações curtas e consistentes.
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol de pôr…
A cada segundo
Certo dia troquei algumas mensagens com alguns amigos. Falávamos sobre dons, produção de textos, poesias e de repente, entre elogios e sarros, alguém falou que um dia iria escrever um livro. Mas somente quando tivesse tempo e dinheiro. Refleti um pouco sobre o assunto e corri para o bom e velho bloco de notas. Segue abaixo, o assunto escrito, seria melhor, se pudesse ser dito.
Você já parou para pensar que a cada segundo de nossa vida, estamos escrevendo o nosso livro? Tenho um vizinho, o Bastião, que em sua simplicidade e sabedoria fala que ao olharmos um relógio de parede, aqueles analógicos, devemos prestar atenção para aquele ponteiro que se move mais rápido e quase que imperceptivelmente rouba preciosos segundos de nossa vida. Damos às horas tanta importância, mas são os segundos que correm no tempo em eterna constância.
Se você ainda não plantou uma árvore, não teve um filho ou não escreveu um livro, relaxe. Se puder passar o pouco e precioso tempo, que o trabalho também nos rouba, ao lado de quem você gosta e contribuir para um ambiente saudável ao seu redor, Deus lhe dará a real recompensa, o amor verdadeiro. O amor que perdoa, que compartilha, que chora, que sente, que ri e que entende.
Ainda digo mais, você já está escrevendo a cada segundo, minuto e hora um rascunho. A cada dia um capítulo. A cada mês um episódio. A cada ano, uma temporada. Do que? Do livro mais importante de um ser humano. Escrito no tempo. Toda sua vivência. Gravado na alma. O livro da existência.






