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Cordão do Peixe-Boi 2010

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O 8º Cordão do Peixe-Boi é uma ação educativa e artística de mobilidade sociocultural e ambiental, que visa à valorização e o fortalecimento da cultura popular, da solidariedade e da consciência ecológica.

Texto extraído do site do Arraial do Pavulagem

Cordão do Peixe-Boi

Barricas d’água, matracas, reco-reco, maracas, onças, alfaias e marabaixos eram os instrumentos que tínhamos à disposição na oficina de percussão promovida pelo Instituto Arraial do Pavulagem, que neste ano completa 23 anos. Capitaneados por Seu Rafel, nos revezávamos entre os instrumentos desde o dia 14 de Janeiro. E para ficar melhor ainda, tínhamos aula de canto e dança com a galera da oficina de dança, que descia do primeiro andar da Unafisco para cantar conosco. Tocava desde carimbó, retumbão, samba de cacete, cantos indígenas e outros ritmos. Tinha que sair tudo beleza no dia do Cordão do Peixe-Boi. O tempo passava depressa demais.

A rotina cansativa do dia-a-dia de trabalho e estudo para a maioria das pessoas que íam aos ensaios acabava quando começava o barulho dos instrumentos. Era uma “doidera que só” no início, parecia o episódio da banda do Chaves =p. No final da oficina veio a notícia de que nem sempre o instrumento gosta de ti :( . Alguns, como eu, tentaram o famigerado teste da barrica. Maior pressão no dia em frente à todo mundo. Errei tudo na hora (hauhauhua) mas pelos menos tentei. No final das contas é a pura verdade, o reco-reco me escolheu :) .

Passamos para os ensaios gerais no CENTUR, agora era valendo, já faziamos parte do Batalhão! O desafio da vez era cantar e tocar o instrumento ao mesmo tempo. No domingo anterior ao cortejo fomos presenteados com um show do Arraial do Pavulagem, os caras tocam MUITO. Ver o pessoal cantando e dançando, me lembrava do tempo de festa junina. Ê tempo “bão”!

Toca, canta e dança era nossa rotina motivada sempre pelo Seu Rafael, uma figura. Eis que chega o dia do cortejo, na concentração a empolgação era visível na face de cada integrante do Batalhão. A galera do reco era só farra, foi muito bom conhecer essa moçada. O cortejo seguiu arrastando o povo pela Av. Castilho França até a Praça do Carmo, onde finalizamos com a Roda Ancestral cantando músicas indígenas e carimbo à vontade. Show a parte foi do Arraial do Pavulagem. Já deixou saudades.

Depois de 4 anos de muita ralação em uma graduação de computação, estudando na maioria das vezes aos domingos, naquela pressão de entregar trabalhos acadêmicos, fora o trabalho de 8 horas por dia, ê lasqueira. Decidi este ano, conhecer melhor nossa cultura que fascina tantos turistas e que muitos de nós não conhece.

Aprendi coisas importantes com as oficinas. Se não tivermos estas manifestações, o que restará para nossos filhos e netos? Se não tentarmos preservar nossa flora e fauna creio que só restará pesquisar fotos em bibliotecas ou pela internet. A questão do consumo excessivo de álcool nas manifestações populares que prejudica a realização futura destes eventos. O símbolo do cortejo é um animal que está em risco de extinção. A responsabilidade que devemos ter com o lixo que produzimos. Durante o cortejo não jogávamos as embalagens de água/refrigerante no chão, haviam pessoas do Batalhão recolhendo o lixo para causar o mínimo de impacto ambiental por onde passávamos. O consumo de bebida alcoólica é proibido para os componentes do Batalhão durante o cortejo.

Nossa boa música está se perdendo para refrões de péssima qualidade, que estimulam crianças e jovens à violência, drogas e sexo precoce. Cantávamos músicas como: “Meu Batalhão saiu na rua, mostrando a sua beleza. Ele veio pedir pro povo a preservação da natureza…”, “Quando chego na barreira vejo pássaros cantando…”. Quando você for ver o cortejo, procure entender a letra das músicas, todas têm uma mensagem a passar.

Em Maio começará as oficinas para o Arrastão Junino. Se Deus quiser estarei lá!

Compartilhei algumas fotos e vídeos.

Para ficar informado sobre os eventos do Arraial, acessem o site deles e acompanhem o twitter também. E quem puder colaborar para a reforma da nova sede do Instituto, que fica na Av. Castilho França 738, entre em contato com eles.

Escrito por Luiz Sanches

fevereiro 16, 2010 em 3:41 pm

Publicado em off-tech

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